Ronco e apnéia do sono

Os distúrbios respiratórios do sono são mais uma área de atuação do pneumologista. O ronco e a apneia obstrutiva do sono são os exemplos mais comuns desse tipo de doença. Em geral são causados por um estreitamento da passagem do ar na região da garganta, especialmente quando há o relaxamento muscular durante o sono. Esse estreitamento está relacionado à flacidez da musculatura da orofaringe, obesidade, alterações anatômicas (como queixo mais curto-micrognatia, aumento da adenoide e das amígdalas). A consequência disso são interrupções na respiração, aumento do trabalho respiratório, induzindo fragmentação do sono e queda na oxigenação do sangue. 

Os sintomas dessa doença, além do ruído do ronco e engasgos/pausas respiratórias, são cansaço e sonolência diurna, cefaleia, irritabilidade e falta de concentração. Também há associação com doenças cardiovasculares, como arritmias e hipertensão arterial, bem como com suas complicações.

O diagnóstico é feito pela anamnese e exame clínico, seguidos da realização do exame chamado POLISSONOGRAFIA. Este exame é realizado durante a noite, com sensores que monitoram ondas cerebrais, atividade muscular, fluxo de ar, movimentos do tórax e abdômen, posição do corpo, oxigenação e ronco. É possível fazer o exame em clínicas especializadas e em algumas situações em casa.

Para o tratamento, deve ser avaliada a possibilidade de correção de alguma anormalidade anatômica, perda de peso e fisioterapia para tonificar musculatura orofaríngea. 

Contudo, muitos pacientes vão necessitar de dispositivos que melhorem a passagem do ar pela garganta durante o sono. São eles: 

     1. Dispositivo intra-oral: tipo de aparelho usado dentro da boca, durante o sono, que em geral faz a anteriorização da mandíbula, aumentando o espaço para a passagem do ar pela garganta. Está indicado nos casos de ronco ou de apnéia do sono leve a moderada. Sua indicação é feita pelo médico e a confecção é feita  pelo dentista. 

     2. CPAP: aparelho que gera uma pressão contínua de ar na via aérea superior, impedindo seu colapso associado ao relaxamento muscular durante o sono. Exige a adaptação de uma máscara nasal ou facial, o que a princípio parece desconfortável, porém os modelos disponíveis atualmente melhoraram muito o conforto durante o uso.